28 abril, 2011

CAPÍTULO II





OS SANTOS SINAIS   


Art. I. Atitudes


§ 31. POSIÇÕES DO CORPO

107.    Não há dúvida que a atitude exterior do corpo influi sobre a atitude interior e que, aproveitando a alma o seu corpo, procura imprimir-lhe posição tradutora dos seus pensamentos.

1. De pé.

 1) Significação: Ficar em pé revela reverência, prontidão, alacridade, afeição, confiança, alegria: Se estais de pé em oração (Mc 11, 25), em sinal de reverência. Aarão está de pé diante de Deus e serve-O (Dt 18, 5), em razão do ministério sacerdotal e sua dignidade.Aarão estava de pé entre os mortos e vivos (Nm 16, 45), servindo de intercessor. Os ministrosestavam de pé ao serviço do rei. (Est 7, 9.)

2) Uso. O celebrante está de pé no sacrifício e na maior parte das funções sacerdotais, como intercessor e medianeiro. O povo está de pé para ouvir o evangelho (prontidão, alegria) e rezar o Credo; também durante o tempo da páscoa e no domingo, que é renovação semanal da ressurreição; e no ofício aos cânticos Benedictus Magnificat, por serem partes do evangelho.(Durandus V, c. 4, n. 28.)

3) Barrete. De pé, em desempenho de uma função litúrgica, nunca se põe o barrete, com exceção do sermão. Por isso, durante a missa solene é litúrgico primeiro sentar-se, depois cobrir a cabeça, ou vice-versa tirar primeiro o barrete, depois levantar-se. Tirar o barrete é a primeira coisa que se faz, ao chegar ao altar, pôr o barrete a última, ao sair do altar. Para se cobrir ou descobrir, serve-se da mão direita, pega-se no barrete pelo lado direito, e põe-se na cabeça, de modo que a ponta dobrada fique do lado esquerdo. (Baldeschi, Martinucci.)

108.    2. Genuflexão.

1) Explicação. Permanecer de joelhos durante a oração é símbolo de adoração, de humildade e de angústia, de penitência. A genuflexão é simples ou dupla.

2) A genuflexão ordinária ou simples faz-se dobrando o joelho direito, sem inclinação da cabeça nem do corpo, sem demora, tocando o chão próximo ao calcanhar esquerdo. Sendo prescrita ao pronunciar muitas palavras, p. ex., Et incarnatus est, a genuflexão se faz devagar.

a) Os que estão revestidos de paramentos fazem a genuflexão sôbre os degraus, exceto à chegada e à retirada do espaço do côro (d. 2682 ad 49; 4198 ad 3); os ministros inferiores dobram sempre o joelho até o chão.
b) Saúda-se por uma genuflexão simples a 'cruz do altar nas funções litúrgicas (in actu functionis tantum, d. 3792 ad 11), a cruz da procissão durante a absolvição dos defuntos com exceção do celebrante, bispo, cônego.
c) Nunca se dobra um só joelho, quando não se tem de levantar imediatamente.
d) Só o celebrante faz a genuflexão pondo as mãos sobre o altar, e fá-lo sempre assim.

109.   3) A genuflexão dupla faz-se pondo em terra, primeiro o joelho direito, depois o esquerdo, segue-se inclinação medíocre do corpo e, por fim, levantar-se. (d. 4179 ad 1.) Faz-se diante do SS. Sacramento exposto ao entrar e ao sair do espaço do côro; ou, para mudar os paramentos, passando-se do meio do altar para a credência ou de lá voltando ao meio do altar.(d. 2682 ad 49.) Fora disso, usa-se a genuflexão simples.

3. Prostração.

Fazer prostração quer dizer lançar-se de bruços no chão. É considerada como sinal de humildade, da dor mais profunda, da súplica de maior instância. Esteve em uso na antiguidade; Nosso Senhor (Mt 26, 39) "caiu sobre a sua face". No rito romano é cerimônia rara, p. ex., no principio das funções da sexta-feira santa, na missa do sábado santo e vigília de pentecostes, na colação das ordens maiores.

110.    4. Assentar-se.

1) Significação. Sentar-se em solenidades é sinal de dignidade, mas também de condescendência dos prelados; compete às autoridades eclesiásticas e civis.

2) O bispo está sentado no ato do batismo solene, da confirmação e da ordenação; desde os primeiros séculos o bispo tinha a sua cadeira na Abside da igreja.

3) O sacerdote está assentado na administração do sacramento da penitência como juiz, no rito de absolver da excomunhão fora da confissão, na missa solene durante o kyrie, glória, seqüência, credo.


§ 32. POSIÇÕES DE PARTES DO CORPO


111.    I. A inclinação.

1) EtimologiaDeriva-se da palavra latina inclinare = dobrar, diminuir, abater, humilhar.

2) Interpretando as expressões do missal, do cerimonial dos bispos e os decretos da S. Congregação dos Ritos, p. ex.: alirluantulum inclinatus, inclinatus, pro f undies inclinatus, caput inclinat, os autores distinguem três classes:

a) a inclinação profunda do corpo, inclinando-se os ombros de tal forma que as mãos em cruz possam facilmente locar os joelhos;

b) a inclinação medíocre ou média do corpo, de sorte que, ficando em pé, se possa ver a ponta dos pés; estando de joelhos, faça-se uma inclinação profunda da cabeça com inclinação dos ombros (d. 4179 ad 1) ;

c) a inclinação da cabeça, subdividindo-se em três classes: a profunda, ao nome de Jesus, Gloria Patri, Oremus: é sinal de adoração; a média, ao nome de Maria: é hiperdulia, devida à mãe de Deus; a mínima, ao nome de um santo ou do papa reinante: é símbolo de veneração e respeito.

3) Uso.
a) A inclinação profunda da cabeça faz-se à cruz do altar (no evangelho ao livro); na exposição do SS. Sacramento e depois da consagração a inclinação da cabeça se faz ao SS. Sacramento, também no evangelho (d. 3875 ad 4).

b) A inclinação da cabeça, devida ao nome de Maria e dos santos, faz-se em geral ao livro, isto é, ao nome nele contido. Se, porém, a imagem principal (não lateral) representa a Virgem SS. ou o santo respectivo, a inclinação faz-se a esta imagem. (d. 3767 ad 25.)

Em alguns lugares a rubrica não menciona a inclinação devida nu SS. Nome de Jesus: Rit. cel. t. VII n. 4 (Ofertório); t. X n. 2 e 6 (fração da hóstia e comunhão do sacerdote); Rituale t. IV c. 2 n. 5 (comunhão dos fiéis). Daí alguns autores derivam a regra, que o sacerdote pode omitir a inclinação ao SS. Nome de Jesus, quando está ocupado com outra cerimônia. A S. R. C. prescreveu (d. 2850 ad 1) a inclinação num destes casos, na comunhão do sacerdote. (t. X n. 6.) Por isso outros autores prescrevem a inclinação em todos os casos mencionados. Referem-se além disso ao C. E. (1. II c. VIII n. 46) que diz: cum profert nomen leso, vel Marice inclinat se."

112.   c) Ao nome de Maria e do papa faz-se inclinação em todas as missas, também nas de réquie, sempre que ocorrerem; ao nome dos outros santos, quando se diz a missa deles ou comemoração propriamente dita (d. 2572 ad 20; não na oração A cunctis, nem ao nome de Cosme e Damião na oração ferial da quinta-feira depois do 3.° domingo da quaresma), e isto sempre que ocorrer, menos no título da epístola e do evangelho. (d. 3767 ad 25.) Vale isso também para as missas votivas e da vigília (d. 4281 ad 2), porém não de réquie. Ainda que a comemoração de um santo, durante a oitava da sua festa se deva omitir por causa daocorrência de uma festa de 2.a cl., contudo, ao nome do santo, se faz inclinação (d. 4116 ad 1) ; é uma espécie de comemoração. Se, porém, a festa de um santo se omite, também a inclinação ao seu nome se deixa. Ocorrendo vários nomes, faz-se inclinação prolongada.

d) Não se faz inclinação se o nome não designar o santo senão no sentido acomodatício; por conseguinte, não se faz ao nome de Jesus na 3.a antífona das vésperas do SS. Nome de Jesus, nem ao nome de Maria no evangelho e na comunhão da festa da assunçãoda Virgem (d. 2872 ad 6), nem ao nome de José na epístola da festa do seu patrocínio; tão pouco ao nome Trinitas, Spiritus Sanctus, S. Angelorum; o antigo n. 40 do d. Tuden. (d. 2572), em que a inclinação ao nome da SS. Trindade se chamou conveniente, foi ab-rogado pelos Decr. authent. (Schober, Missa S. Alf., p. 42.)

e) Ao nome do bispo faz-se inclinação na oração do aniversário da eleição e sagração, se ele assiste à missa. (d. 2049 ad 3. Solans 1 n. 167, que cita S. Afonso, Merati, Cavalieri, Baldeschi, etc.)

113.   f) Se se está de joelhos, não se faz inclinação da cabeça (p. ex., ao nome de Jesus,Gloria Patri) a não ser que esteja prescrita, p. ex., ao Et incarnatus est na missa solene (d. 4179). É uso romano fazer inclinação ao Tantum ergo até veneremur cernui inclusive, para que a posição do corpo combine com as palavras do hino. (Gardellini, Clement. 24, n. 9.)

114.    II. Os olhos.

Levantar os olhos é recorrer a Deus que está nas alturas, confiar nEle: A vós que estais no céu, levantei os olhos. (Sl 122, 1.) Baixá-los é sinal de humildade: o publicano não ousava levantar os olhos (Lc 18, 13); Nosso Senhor levantou os olhos. (Jo 11, 41.)

115.    III. O ósculo litúrgico. (Beijo Litúrgico)

1. Significação.

a) Em geral é símbolo e expressão da caridade sobrenatural, de veneração e reverência. (Jesus e Simão, Lc 7, 45.)
b) na Liturgia, significa caridade fraterna na missa antes da comunhão e na ordenação sacerdotal.
c) veneração denota o Ósculo do altar consagrado que representa Jesus Cristo, do evangeliário (Laus tibi, Christe, símbolo de Cristo), da patena, da cruz na sexta-feira santa, das velas, dos ramos.
d) é sinal de reverência o Ósculo na mão do bispo ou sacerdote, nas funções litúrgicas;
e) revela gratidão o ósculo na mão, quandse recebe alguma coisa do bispo ou sacerdote.
f) o costume de beijar o pé do papa deriva-se provavelmente do costume das nações orientais. Inocêncio III explica (1. II, c. 27) "tit summo pontifici summam exhibeant reverentiam et eum ithus ostendant vicarium esse, cujus pedes osculabatur nuttier."

2. Uso.

a) Recebendo um objeto, beija-se primeiro a mão daquele de quem se recebe, depois o objeto recebido; oferecendo-se alguma coisa, beija-se primeiro esta, depois a indo do celebrante.
b) Ao receber a vela ou o ramo bento, beijam-se primeiro estes objetos bentos, depois a mão do celebrante, por causa da veneração devida a eles em conseqüência da bênção.
c) Os ósculos do incenso e do barrete omitem-se em presença do SS. Sacramento exposto.

116.    IV. As mãos.

1) Estender e elevar as mãos.

a) Origem. Este gesto de oração é geral em todas as nações. É expressão da alma aflita ou necessitada ou jubilosa, que se dirige a Deus, para pedir alguma coisa, confiar nEle, agradecer-Lhe. Por isso também os cristãos o conservaram. Nas catacumbas ainda existem pessoas representadas com este gesto, as chamadas Orantes. Os cristãos viam nesta atitudea imitação de Nosso Senhor, que morreu na cruz com os braços abertos.

b) Uso. No rito romano se emprega durante a missa nas partes mais antigas: orações, prefácio, cânon; na consagração da igreja, do altar e outras funções pontificais. Mas, no oficio e na administração dos sacramentos e sacramentais, foi suplantado pelo gesto das mãos postas.

c) História. Na idade média o sacerdote, depois da consagração, estendia os braços horizontalmente, representando assim a imagem de Jesus Cristo crucificado. Os dominicanos, os cartuxos e a igreja de Lião ainda conservam esta atitude. Um vestígio dela se conserva no rito romano no uso de cruzar os polegares.

2. Pôr as mãos.

a) Origem. Este gesto era desconhecido na Liturgia até ao século VIII. Na vida pública, p. ex., na Alemanha, era sinal de homenagem e sujeição. O vassalo prometia fidelidade ao rei pondo as mãos juntas nas mãos dele. Já no século 12 este modo de rezar era geral.

b) Uso. Este gesto liturgicamente se faz, juntando as duas mãos estendidas e cruzando os polegares diante do peito. O outro modo de juntar as mãos com os dedos entrelaçados não é litúrgico.

117.    3. Imposição das mãos.

 a) Origem. Usava-se no antigo testamento; em o novo, Nosso Senhor muitas vezes se servia desta cerimônia.

b) Significação. Em geral denota comunicação de graças. aa) É rito visível do sacramento da confirmação e da ordem. bb) É sacramental, comunicando conforto espiritual e corporal, no rito da visita aos doentes (Ritual). cc) É exorcismo no rito do batismo e do exorcismo solene. dd) É símbolo da oblação de si mesmo e do povo em união com o sacrifício de Nosso Senhor no Hanc igitur.

4. Bater no peito.

a) É símbolo da consciência culpada; já era conhecido pelos israelitas. (Lc 18, 3.)
b) Usa-se na missa, ao Confiteor, Nobis quoque, Agnus Dei, Domine non sum dignos;fora da missa, nas ladainhas e ao Confiteor. Faz-se com a mão direita, quer estendida, quer meio aberta, sem ruído.

118.    5. Sinal da cruz.

a) Origem. Desde os primeiros tempos cristãos os fiéis usaram o sinal da cruz, o qual, segundo Tertuliano, remonta aos apóstolos e foi provavelmente instituída por Nosso Senhor.(Suarez in 3 q. 58, art. 4, disp. 51, sect. 2; Lapide, Ben. XIV.) Ele conta que os cristãos empregavam a cada passo o sinal da cruz.

b) Modo de fazê-lo. No principio, provavelmente com referência ao Apocalipse (7, 2 e 9, 4), faziam a cruz com um dedo da mão direita sobre a fronte, no século IV sobre a fronte e a boca, no século XII, na fronte, na boca e no peito. Faz-se agora (persignar-se) com a polpa (e não com a unha) do polegar. A grande cruz (desde a idade média) faz-se passando a mão estendida (Rubr. Miss.) da fronte ao peito no meio, e do ombro esquerdo ao ombro direito.

Maldonado, natural da Espanha, diz que os três sinais da cruz se fizeram por causa dos arianos, outrora muito numerosos naquele país. Os católicos quiseram declarar por todos os modos, que não eram arianos; por isso fizeram o mesmo sinal da cruz três vezes, professando desta forma a igualdade das três pessoas divinas. (zacaria II, 2 disp. II § XIV.)

119.    c) Uso. A pequena cruz emprega-se na recitação do evangelho, no rito do batismo, no exorcismo e em todas as unções. A grande cruz faz-se em todas as bênçãos e frequentemente na missa; na missa solene 53 vezes. A fórmula Trinitária que acompanha a cruz remonta até idade média (c. século VI). Nas funções litúrgicas emprega-se relativamente raras vezes e só, se não são prescritas outras palavras.

d) Significação. É sacramental e comunica a graça de Deus e proteção contra os perigos, doenças e o demônio. Símbolo da fé na SS. Trindade e na redenção. Depois da consagração da missa, relembra que no sacrifício da missa se renova o sacrifício da cruz. Portanto, não é, nem pode ser ato de benzer a Nosso Senhor presente na santa hóstia (ver n. 511). A cruz sobre o evangeliário diz que a fonte do evangelho é o crucificado. O povo faz o sinal da cruz também, pronunciando o Gloria Patri. Com toda a razão. Pois é fórmula Trinitária e conclusão de parte da oração, imitando a cruz no fim dos Hinos glória e credo.

Artigo II. Elementos materiais.

Na bênção real distinguimos a bênção e o objeto capaz mia bênção, ou o elemento. De alguns elementos materiais levemos tratar.

§ 33. A ÁGUA

120.    1. Uso. A água usa-se na Liturgia para obter a água batismal, a água benta e a água gregoriana (na consagração da igreja),' para misturá-la com o vinho no ofertório da missa e para diferentes purificações.

2. Significação.
a) Em geral a água é o símbolo da pureza interior e moral.
b) A respeito da mistura da água e do vinho na missa, diz o catecismo romano (P. II, c. 4, q. 15): "A igreja de Deus sempre misturou água com vinho.
1. porque Nosso Senhor o fez, como se prova pela autoridade dos concílios e pelo testemunho de S. Cipriano;
2. porque por esta mistura Se renova a lembrança do sangue e da água que saíram do seu lado;
3. porque "as águas", como se lê no Apocalipse (17, 5), designam os povos; por isso a água acrescentada ao vinho significa a união do povo fiel com Cristo, a Cabeça."

3. História. Purificações religiosas havia-as entre os pagãos e israelitas. Os cristãos adotaram este rito. Costumavam lavar as mãos todas as vezes que rezavam. Para este fim serviam as fontes existentes no átrio das basílicas.

4. A água benta é sacramental e comunica às pessoas e aos objetos aspergidos proteção contra os espíritos infernais e auxílio divino à alma. Era conhecida no Oriente já no século IV, no Ocidente no século V.

A experiência dos santos confirma a veracidade das palavras da igreja. S. Teresa de Avila (Vida c. 31) diz da água benta: "Muitas vezes fiz a experiência de não haver nada de que fogem mais os maus espíritos sem voltar. Fogem também da cruz, mas voltam logo. O poder da água benta deve ser grande." Em outro lugar (Cartas I, 33) diz: "E' preciso aspergi-la em redor de si." A mesma experiência fez a beata A. M. Taigi. Apareceu à porta de sua casa um cardeal. Confundida por tal honra, levanta-se, beija-lhe a mão e pede-lhe a bênção. O cardeal dá-lhe conselhos, p. ex. de mudar de vida, de desistir das suas austeras penitências, de gozar a vida como os outros. A beata reconheceu o demônio, benzeu-se e atirou água benta contra o tal purpurado, que desapareceu com toda a pressa.


§ 34. O PÃO

121.    1. História. No antigo testamento o pão era matéria de sacrifício, já antes do culto mosaico. Pois Melquisedeque ofereceu o sacrifício de pão e vinho, o qual foi tipo do pão eucarístico. O pão litúrgico no culto cristão, antigamente, era oferecido pelos fiéis. Tinha a forma de bolos chatos, redondos, triangulares, ou anulares. As hóstias em forma de moedas foram introduzidas no século XI. (Braun, s. v.)

2. Significação. pão representa:

a) toda a vida humana; a vida corporal, por ser o alimento principal; a vida espiritual, por ser o produto da inteligência e da vontade;
b) a união do fiel com Jesus Cristo e dos fiéis entre si, por ser confeccionado de muitos grãos moídos, que todos formam um único pão.

3. No Ocidente o pão era ázimo, isto é, feito sem fermento, ao menos desde o séc. VIIIe, desde então está prescrito pela lei eclesiástica. (Cân. 816.) No Oriente é lícito só o fermentado. (Cf. n. 490.)

Pela tradição da Igreja sabemos que Jesus Cristo prescreveu para a consagração pão de trigo sem determinar o modo da preparação. Por isso tanto o pão ázimo como o fermentado é matéria válida. (Conc. Flor.) Nos primeiros séculos parece que se usava um e outro indistintamente. Desde o séc. VIII-XI, a igreja oriental prescreveu o pão fermentado, interpretando neste sentido as palavras de S. João (13, 1) que Jesus antes da festa da páscoa" instituiu o SS. Sacramento; por conseguinte tinha pão fermentado. A igreja ocidental prescreveu o pão ázimo, porque os três outros evangelistas dizem que N. Senhor instituiu a S. Eucaristia "no primeiro dia dos ázimos". Em todo caso os quatro evangelistas falam do mesmo dia da semana.

Uma das soluções desta diferença aparente é a seguinte: Quando a páscoa israelitica caia no sábado, o cordeiro pascal se devia matar ao pôr do sol (Deut. 16, 6) da sexta-feira. Mas esta hora já era sábado, em que não era licito trabalhar, p. ex. matar os cordeiros. Por isso era permitido antecipar a matança dos cordeiros para o "pôr do sol" da quinta-feira e comer o cordeiro ou na sexta-feira, ou antecipadamente na quinta-feira. Nesta solução da ceia antecipada é fácil conciliar os evangelistas. A "festa da páscoa" de S. João começou ao "pôr do sol" da sexta-feira. "Antes da festa" é portanto o "pôr do sol" da quinta-feira. O primeiro dia dos ázimos dos outros evangelistas era a mesma quinta-feira. Por conseguinte todos os evangelistas designam o mesmo dia para a instituição do SS. Sacramento (Holzmeister, chronologia), e a interpretação dos gregos é "completamente falsa". (Leo IX M L 143 p. 775.) Esta convicção do papa é doutrina comum no ocidente, mas não é dogma (Calmet, dissert. in noviss. pascha) que o pão na última ceia foi ázimo.

§ 35. O PÃO SACRIFICAL


122.    1. Matéria válida para a preparação das hóstias é só a farinha de trigo assim como vem do moinho. Não importa, se contém partes da casca dos grãos.
Matéria inválida seria a massa da qual pela lavagem feita ou pela água corrente, ou junto com a manipulação, se tira o glúten e outras partes do grão e resta só o amido. Pois o pão assim preparado não é de farinha no sentido comum. Da mesma maneira o glúten não é matéria válida pela mesma razão.

2. A preparação do pão para a Eucaristia outrora era às vezes muito solene e inspirada na fé viva. No convento dos monges beneditinos de Hirsau, quatro religiosos coziam as hóstias, sendo três deles diáconos ou sacerdotes revestidos de alva. (Eisenh. lI, p. 132.) Muitos sacerdotes seculares preparavam as hóstias pessoalmente. Pois este serviço só se pode entregar a pessoas conscienciosas e bem instruídas, para que, por ignorância ou mal entendida arte, não se forneça pão inválido.

123.    Tempo útil para as hóstias. São seguras as seguintes regras:

I. Regra. As hóstias a consagrar devem ser recentes (cân. 1272), isto é, cozidas quanto muito vinte dias antes. É citado nos Decr. auth., t. IV, p. 280.

II. Regra. Hóstias consagradas devem-se renovar frequentemente (cân. 1272), isto é, depois de oito, quanto muito quinze dias, se o lugar e o tempo não forem úmidos.

III. Regra. Entre a cozedura da hóstia e a sua distribuição na s. comunhão não devem passar mais de 30 dias.


§ 36. O VINHO


124.    1. História. O vinho era estimado por todas as nações cultas como alimento, remédio e matéria de sacrifício.

Na parábola do bom samaritano, o vinho misturado com óleo é o remédio para as chagas e contusões do infeliz viajante. O rei Melquisedeque ofereceu no seu sacrifício além do pão também vinho. Na Liturgia do antigo testamento era inseparável dos sacrifícios pacíficos e holocaustos (1,5 — 3 litros); mas não havia um sacrifício só de vinho. Na ceia pascal não podia faltar.

2. Na Liturgia do novo testamento, a) foi introduzido pelo divino Redentor. É matéria essencial do sacrifício eucarístico, e era oferecido antigamente pelos fiéis; b) é um dos elementos (água, sal, vinho e cinza) de que se compõe a água gregoriana prescrita na consagração das igrejas e altares; c) é benzido na festa de S. João Evangelista e em muitos lugares distribuído aos fiéis com as. palavras: "Bebe o amor de S. João."

3. Significarão. a) Tem as mesmas significações que o pão, representando toda a vida humana e a união dos fiéis com Jesus Cristo e entre si, por ser composto de sumo de muitos bagos; b) no ofertório significa o SS. Sangue que N. Senhor derramou da chaga do seu lado; c) simboliza a natureza divina unida à humana simbolizada pela água na mistura de água e vinho; d) simboliza a divindade de Jesus Cristo, pela bênção unida com a igreja material e espiritual na consagração da igreja (Durandus I. c. 7, n.° 9);" e) simboliza o amor divino (Cant. 8, 2).

§ 37. A LUZ


125.    1. História. Todas as nações fizeram uso da luz no exercício do culto. 1) Os persas adoravam o fogo e a luz. Os gregos e os romanos conservavam-na nos seus templos. 2) Os israelitas mantinham no átrio do templo de Jerusalém o fogo perpétuo (Lv 6, 6) sobre o altar do holocausto e, no interior do santuário, o castiçal de 7 braços. (Êx 25, 31.)

Os primeiros cristãos empregavam a luz a) por necessidade, porquanto o serviço divino se celebrava de noite ou nas catacumbas; b) por razões estéticas: a profusão da luz dá à testa mais realce, iluminando e enfeitando; c) por razões simbólicas: a luz simboliza Deus na sua essência, que "é luz" (1Jo 1, 5), santidade, majestade e fonte de vida; "o Deus incarnado”, "a verdadeira luz" (Jo 1, 9), a sua presença real na missa e na exposição do Santíssimo; a sua presença santificadora no canto solene do evangelho, na administração dos sacramentais, na liturgia do côro; a sua presença glorificadora na veneração dos santos e no rito do enterro: "clarifique-os na eterna luz." (Ver n. 378.)

126.    2. Uso. Na Liturgia aparece a luz na forma:

a) de vela acesa durante o sacrifício da missa. Acender velas em honra dos deuses era também costume pagão. Por isso, Vigilâncio (Hier. adv. Viv. c. 4) critica os cristãos, que a modo dos pagãos acendiam velas na igreja; mas foi refutado por S. Jerônimo. As velas eram postas acesas ou diante, ou atrás, ou acima, nunca sobre o altar. Este modo de as pôr sobre o altar só foi introduzido no século XI. No batismo, na colação das ordens menores e maiores, nos funerais, nas procissões, na exposição do SS. Sacramento e em muitas outras funções litúrgicas, a vela está prescrita.

b) Vela de elevação. (Rub. gen. tit. 20.) Indica aos fiéis a presença de Nosso Senhor no altar; usa-se ainda na Espanha, na França e no México.

c) Círio pascal; dele se fala em outro lugar (n. 178). d) A lâmpada do SS. Sacramento, como tal usada desde o século XIII, prescrita pelo sínodo de Worcester em 1240.

É símbolo da presença de Jesus Cristo no altar e símbolo da caridade dos fiéis para com o seu Redentor amantíssimo: "ut lampas hominlbus [ex ecclesia] recedentibus cultus aliquam et amoris professionemhibere pergat." (Synod. Vienn. Lac.. V. 163.)

127.    Luz elétrica. A luz elétrica ou de gás não é permitida entre as velas estritamente litúrgicas no altar, nem em lugar das lâmpadas ou velas que devem arder diante do SS. Sacramento ou das relíquias dos santos. Nem é lícito colocar lâmpadas elétricas na parte interior do trono (nicho) da exposição, para que os fiéis possam ver melhor a Santa Hóstia. Para outras partes da igreja, e em outros casos, a iluminação elétrica é permitida conforme o prudente arbítrio do ordinário, contanto que se guarde em tudo a gravidade devida à santidade do lugar e à dignidade da sagrada Liturgia. (d. 4322.)

Por conseguinte, lâmpadas elétricas de diferentes cores não estão proibidas para as imagens de Nosso Senhor no altar ou para o ornamento exterior do tabernáculo na exposição do Santíssimo (d. 4210), mas sim para as imagens e nichos de santos no altar ou para as banquetas, onde estão os castiçais. (d. 4322.)


§ 38. INCENSO


128.    1. História. O incenso é uma resina aromática distilada em lágrimas por uma árvore da família das terebintáceas (boswellia serrata). Pode-se dizer que todo o mundo, pelo menos o mundo culto, conhecia o incenso para o uso doméstico e religioso.
a) Os pagãos. Na vida dos mártires se fala não raras vezes da tentativa dos pagãos de seduzir os cristãos para a apostasia, pelo incenso queimado aos ídolos.
b) Os israelitas por preceito divino deviam oferecer o sacrifício de incenso sobre o altar de ouro no interior do templo. (Lv 2, 2.)
c) Os cristãos, para evitar a suspeita de idolatria, no princípio não empregavam o incenso na Liturgia, mas sim na vida profana. Desde o século IV foi usado como perfume para os lugares litúrgicos. Era costume profano queimar incenso diante de pessoas de autoridade. Destes costumes se deriva o rito de incensar pessoas litúrgicas, altares e objetos.

129.    2. Uso. Hoje o incenso é queimado na missa solene, na bênção com o SS. Sacramento, nas procissões, na bênção do altar, de velas, de cinza, de ramos, nos funerais. O incenso aoBenedictus Magnificat explica-se por serem estes cânticos partes do evangelho, o qual exige incenso. 5 grãos de incenso são colocados no círio pascal (5 chagas); três grãos no sepulcro das relíquias do altar (aroma da santidade).

3. Significação. O ato de incensar exprime:
a) adoração direta diante do SS. Sacramento;
b) adoração indireta diante do altar, do evangeliário; da cruz, do s. lenho da cruz, porserem objetos especialmente relacionados com o Redentor, por sua natureza, ou pela consagração;
c) veneração diante das imagens dos santos;
d) reverência, quando feito a pessoas ou ao corpo inânime dos fiéis;
e) comunicação de pureza (também ao altar manchado por assim dizer pelas distraçõese outras faltas dos ministros), de santidade (Accendat... ignern amoris... ), de auxílio às almas como espécie de oração dirigida a Deus e oferta em favor delas, de proteção contra as influências do demônio;
f) símbolo da oração que sobe como fumaça aromática ao trono do Altíssimo. O incenso nunca serve exclusivamente para aumentar a solenidade.

O incenso não se benze, quando só o SS. Sacramento é incensado, pois que o Autor da santidade não é capaz de purificação.


§ 39. O ÓLEO


130.    1. História. óleo litúrgico é óleo de oliveira. Servia no antigo testamento para a consagração do altar, de sacerdotes, profetas, reis, e fazia parte dos sacrifícios. Em o novo testamento é mencionado como meio de honrar o hóspede (Lc 7, 46) e pessoas de estima (Maria Madalena), de curar doentes (Mc 6, 13). Já as Liturgias antigas contêm fórmulas para benzer o óleo.

2. Uso. No rito moderno distinguem-se três espécies de óleos santos: o óleo dos enfermos (oleum infirmorum, O. I.), óleo dos catecúmenos (Oleum catechumenorum, O. C.;Sanctum Oleum, S. O.; Oleum exorcizatum, O. E.; Oleum puerorum, O. P.) e o crisma(Sanctum chrisma, S. C.) O crisma é óleo misturado com bálsamo. Os dois outros são óleo puro.

131.    As cerimônias soleníssimas da consagração dos óleos, durante a missa pontifical na quinta-feira santa, remontam à idade média.

a) O óleo dos enfermos constitui a matéria do sacramento dos santos óleos ou extrema unção; nome este que convém evitar entre nós. Pois há pessoas que se assustam rio ouvir "Extrema" e rejeitam a "Extrema Unção"; aceitam, porém, os "santos óleos". Dá saúde corporal e espiritual e constitui a unção real para o trono eterno. (Kern, de extr. ) id .)

b) O óleo dos catecúmenos servia na antiguidade cristã, como o crisma, para a unção dos catecúmenos. Chamava-se óleo do exorcismo, porque devia proteger o catecúmeno contra o demônio. Por isto, no rito do batismo a unção com este óleo se faz antes do batismo. Na idade média era empregado para as unções nas ordenações, nas coroações de reis na consagração das igrejas.

132.    c) O crisma remonta, como o óleo dos catecúmenos, ao principio do terceiro século e se chamava "óleo de ação de graças". É matéria do sacramento da confirmação. Significa a santificação pelo Espírito Santo e sua presença na alma. Por isso a unção com o crisma se faz depois do batismo. É empregado para benzer a água batismal, para à consagração dos bispos, das igrejas, dos altares, dos cálices, dos sinos.

Antigamente os fiéis podiam guardar e empregar o óleo dos enfermos. Hoje isto não é lícito. Mas, em compensação, no Ritual, há uma fórmula para benzer óleo destinado ao uso dos fiéis.


§ 40. A CINZA


133.    1. História. Já no antigo testamento a cinza era sinal de penitência. Implorando os israelitas o auxílio divino contra Holofernes, puseram "cinza sobre a cabeça". (Jdt 4, 16.) "Ai de ti, Corozoim... Tiro e Sidônia teriam feito penitência em saco e cinza." (Mt 11, 21.) A cinza de vaca vermelha era empregada para preparar "a água da expiação". Quem tocara num cadáver e ficara assim impuro, se tornava puro pela aspersão com esta água. (Nm 19, 5; Heb 9, 13.)

2. Significação. Contendo a cinza elementos cáusticos purificadores, simboliza o efeito purificador da penitência e da dor. Lembra que o homem volta à cinza e à terra, torna-o humilde, indicando a sua origem humilde.

134.    3. Uso. a) Na quarta-feira de cinzas, impõe-se cinza benta na cabeça dos fiéis, para se lembrarem da humildade com que devemos fazer penitência. Esta cerimônia empregava-se antigamente para os penitentes públicos. Quando a penitência pública caiu em desuso, sujeitavam-se, ao menos desde o século X, sacerdotes e fiéis a este ato de humildade. No ano de 1091, a imposição de cinza foi prescrita por Urbano II (Braun, s. v.) para todos. É sacramental.

b) A cinza entra na composição da água gregoriana usada na consagração das igrejas. Nesta ocasião se fazem através do corpo da igreja duas faixas de cinza espalhada ao modo de cruz grega, em que o bispo escreve as, letras gregas e latinas do alfabeto: Este rito significa que Jesus Cristo tomou posse do santuário.


§ 41. O SAL


135.    1. História. Nos sacrifícios pagãos romanos punha-se sempre na vítima farinha grossa misturada com sal, a sancta mola, como diz Horácio. O sal, tipo da estabilidade (Lv 2, 13)impede o estrago da comida e dá-lhe sabor. (Col 4, 6.) Por isso era ajuntado ao sacrifício como expressão do desejo de agradar a Deus. Nos sacrifícios mosaicos o sal era muitas vezes empregado. O profeta Eliseu (4 Rs 2, 19) tornou potável a água ruim pelo sal que nela deitou e conferiu fertilidade para a terra, onde foi posto.

2. Uso. a) No rito do batismo alguns grãos de sal se põem na boca do catecúmeno com as palavras: Accipe sal sapientiae; propitiatio sit tibi in vitam aeternam. O sal significa, portanto, a sabedoria, a graça da fé, que leva o catecúmeno para a vida eterna.
b) É elemento constitutivo da água benta e gregoriana. Tem, portanto, força para purificar e santificar.


§ 42. SEDA, LINHO, LÃ, CERA


136.    I. Seda é a matéria mais preciosa para os paramentos. Mas deve ser natural, não artificial. Está prescrita para:
1) Os paramentos da missa (d. 3779 ad 1 e 2, o qual proíbe linho, lã e algodão) ou mais exato para a casula (d. 2769 V. ad 3) ; estola, manipulo e bolsa costuma-se fazer também de seda, mas prescrito não é;
2) O véu do cálix (Rit. cel. I., 1 ) , provavelmente para dispensar o saco de pano de linho em que se levava o cálice para o altar (Eph. lit. 1924. Burkard p. 6);
3) O forro do tabernáculo, se não está dourado o interior (d. 3254 ad 7);
4) O véu do subdiácono na missa solene (C. E. I, 10 n. 5) e do ministro de mitra (C. E. I, 11. n. 6);
5) O véu da âmbula (Rit. IV, 1 n. 5);
6) O véu (bôltia) da píxide para a comunhão dos doentes (Rit. IV, 4 n, 12);
7) O véu para o vaso do óleo dos enfermos (Rit. V, 2 n. 2). Ver n. 288. Permitida é seda para o cordão. (d. 2067 ad 7.)

137.    II. Linho ou cânhamo. O pano de linho é fabricado das fibras da planta de linho. Sendo mais caro do que o de algodão, prepara-se um tecido mais barato de algodão e linho proibido porém para a pala, corporal, alva, amito e as toalhas do altar. (d. 2600.)
É prescrito pano de linho puro ou cânhamo para o corporal e a pala (Rit. ce l. I, 1), sanguinho, alva, amito, toalhas do altar (d. 2600) toalha para a credencia (Rit. cel. II. 5; C. E. i c. 12 n. 19); no Brasil para o manustérgio e o cordão (C. P. n. 797. A. L. n. 904.)
É conveniente para a sobrepeliz, roquete, toalhas para a comunhão. (A. L. n. 904.)
É permitido para o cordão (d. 2067 ad 7) e conopeu (d. 3035 ad 10).
É proibido para a casula. (d. 2769 V. ad 3.) Para o manipulo, estola, dalmática, tunicela e pluvial não há prescrições quanto à matéria do pano. Conveniente é seda. Ver n. 219; 162; 165.
Engomar os corporais é permitido. (d. 3767.) (Fattinger p. 148 e sq.)

III. Lã. Os paramentos (sacra paramenta) feitos de pano de lã são proibidos. (d. 3035.) 0 cordão de lã é permitido. (d. 3118.) Ver n. 217. Pode ser da cor dos paramentos. (d. 2194 ad 3.)

O rigor nestas prescrições baseia-se no antigo costume da Igreja e nas profundas significações ligadas a estas matérias. "Quanto aos sagrados paramentos e alfaias conserve-se o que desde o principio da Igreja foi introduzido por causa das significações reais e místicas."(d. 2600.)

138.    IV. Cera.

1. A matériaver n. 933. O círio pascal e as duas velas exigidas para a missa devem ser na maior parte de cera. (d. 4147.) Para o círio pascal esta porcentagem é necessária para evitar a contradição entre a cera do círio e as palavras do Exsultet: "Nutre-se de cera líquida... produzida pela abelha mãe."
Para as velas da missa, o ato mais santo da religião, assim como a S. R. C. exige dos metais o precioso ouro e dos tecidos a preciosa seda, assim também das matérias de iluminação, a mais estimada, a cera. Por isso foi proibido para a missa o uso de sebo (d. 3063), de estearina (d. 4257), de gás (d. 4097), e da luz elétrica (d. 3859). Sebo está excluído do uso litúrgico, estearina é permitida fora do altar, luz elétrica no altar só para a iluminação. (Ver n. 124.)

2. O simbolismo. A cera no uso litúrgico simboliza o puríssimo corpo de Jesus Cristo, nascido da Virgem Mãe, como a cera virgem provém das abelhas virgens ("apis mater eduxit", Exsultet). Simboliza o sacrifício do cristão que, vivendo para N. Senhor se consome na chama da caridade divina.
A luz elétrica não contém tão perfeitamente esta significação. No círio pascal e na vela em geral a mecha significa a alma, a cera o corpo, a chama a divindade do Redentor. (Uurandus VI. c. 80, n. 3.)

139.    Experiências para provar a genuinidade destas matérias sem substâncias químicas.

1. SedaFios de seda pura e lã encrespam-se na chama e formam no fim uma bolinha. As fibras vegetais (algodão, linho) ardem como mecha ou fio de linho. Seda e lã cheiram a chifre ou cabelo queimado. Sendo misturada seda ou lã com fibras vegetais, a bolinha fica em brasa por algum tempo por causa às fibras vegetais ainda não queimadas. Sendo a seda artificial mais pesada, o fio não forma Molinha, mas queima-se quase em forma de fio por causa das matérias misturadas.

2. Pano de linhomolhado com azeite puro e esfregado um pouco, torna-se transparente; pano de algodão fica imutável.

3. Cera. Quando se passa o dedo sobre cera pura, tem-se a impressão de tocar numa peça de cautchu e o dedo não desliza facilmente sobre a superfície. Cera pura amassada pega no dedo; mas se for parafina e estearina, tem-se a impressão de gordura. Cera pura dificilmente se pode cortar; estearina com maior facilidade. Quando ao tocar na parte superior de uma vela acesa a margem fica pegada no dedo, cera é genuína; quando se quebra, há mistura com parafina ou estearina.
Para saber se há sebo, faz se uma parte da vela em pedaços do tamanho de lentilhas, aquece-se em água pura até o grau de calor necessário para derreter o sebo suficiente para poder amassar a cera. Se houver sebo, aparece na superfície da água em gotas, bem visíveis depois de tornar-se fria a água.





 

 

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