28 abril, 2011

PARTE 1 - LITURGIA GERAL

§ 22. O ESPÍRITO LITÚRGICO


78.     Antes de tratar cientificamente da Liturgia, com divisões e enumerações, é bom dar alguns esclarecimentos sobre o espírito litúrgico, de que é mister imbuir-se para avaliá-la devidamente.
O espírito litúrgico que consiste em estudar, estimar, explicar, promover e defender a Liturgia tem a base, mormente em certos princípios gerais. Podem resumir-se em quatro:

1. A Liturgia é obra do Espírito SantoDi-lo Sisto V: Sacri ritos et coeremonice, quibus Ecclesia a Spiritu Sancto edocta ex apostolica traditione et disciplina utitur." (BulaImmensa, 1588.) Conseqüência: respeito.
2. A Liturgia é serviço eucarísticopois o centro da liturgia é a Eucaristia. Diz o cardeal Bona (De reb. lit. 1. 2, c. 14, § 5) : "Este era o espírito religioso dos nossos antepassados, que todas as funções sagradas eclesiásticas, a administração dos sacramentos e quaisquer bênçãos se realizassem durante a missa. Pois a última perfeição e consumação de tudo é a Eucaristia, da qual recebem a sua força, energia e santidade." Conseqüência: Amor.

3. A Liturgia é a casa de ourode perfeita harmonia. Numa casa há inúmeros objetos, que ninguém considera avulsos, mas pertencentes ao edifício na sua perfeição. Assim, as múltiplas partes da Liturgia são outros tantos ornamentos da construção total da Liturgia. Conseqüência: Estima profunda. Poetas, p. ex., Dante, Calderon, mesmo os protestantes Schiller e Goethe se inspiraram na sua beleza para composições de alto vôo. É a glória da Igreja, objeto de inveja dos acatólicos.

4. A Liturgia é a vontade concretizada da Esposa de Cristoa Igreja, formando o cerimonial da corte do Rei de eterna majestade. Ora, "devemo-nos conformar com a Igreja",como ensina S. Inácio nas suas regras, "ut cum Ecclesia sentiamus". (Aprovadas por Paulo III, 1548.) Conseqüência: acatamento.

5. Divisão: Na Liturgia há vários elementos comuns a funções litúrgicas diferentes. Não convém tratar deles repetidas vezes. Por isso formam o objeto da Liturgia geral. Partindo da definição dada, é preciso falar de pessoas e ações. Tratamos, portanto:
1) das santas palavras, pronunciadas pelas pessoas;
2) dos santos sinais;
3) dos santos lugares, onde se usam as ações e palavras;
4) dos santos tempos que modificam as ações e palavras.



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